HISTÓRIA DOS HEBREUS - ABRAÃO , ISAQUE , JACÓ E ISRAEL

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Depois de haver falado dos descendentes de Sem, é preciso agora falar dos hebreus, descendentes de Éber. Pelegue, filho de Éber, teve por filho Reú. Reú teve Serugue, Serugue teve Naor e Naor teve Terá, pai de Abraão, que assim foi o décimo desde Noé e nasceu duzentos e noventa e dois anos após o dilúvio,
pois Terá tinha setenta anos ao nascer Abraão. Naor tinha vinte e nove anos quando teve Terá, Serugue tinha trinta anos quando teve Naor, Reú tinha trinta e dois anos quando teve Serugue, Pelegue tinha trinta anos quando teve Reú, Éber tinha trinta e quatro anos quando teve Pelegue, Sala tinha trinta anos quando teve Éber. Arfaxade tinha trinta e cinco anos quando teve Sala e Arfaxade, filho de Sem e neto de Noé, nasceu dois anos após o dilúvio. 21. Abraão teve dois irmãos: Naor e Harã. Este morreu na cidade de Ur da Caldéia, onde ainda hoje se vê o seu sepulcro, e deixou um filho de nome de Ló e duas filhas: Sara e Milca. Abraão desposou Sara, e Naor desposou Milca. Terá, pai de Abraão, tendo concebido aversão pela Caldéia, porque lá perdera o filho Arã, deixou-a e foi com toda a família para Harã, na Mesopotâmia. E lá morreu, com a idade de duzentos e cinco anos — a duração da vida humana já ia pouco a pouco diminuindo, continuou a diminuir até Moisés, e foi então que Deus a reduziu a cento e vinte anos, o tempo que viveu esse admirável legislador. Naor teve de sua mulher, Milca, oito filhos: Uz, Buz, Quemuel, Quésede, Hazo, Pildas, jidlafe e Betuel; de Reumá, sua concubina, teve Teba, Gaã, Taás e Maaca. Betuel, que foi o último filho de Naor, teve um filho de nome Labão e uma filha de nome Rebeca.
 ABRAÃO, NÃO TENDO FILHOS, ADOTA LÓ, SEU SOBRINHO, DEIXA A CALDÉIA E VAI MORAR EM CANAÃ.
22. Gênesis 12. Abraão, não tendo filhos, adotou Ló, filho de seu irmão
Arã e irmão de sua mulher, Sara. ecer à ordem que havia recebido
E, para obedde Deus, na terra
deixou a Caldéia na idade de setenta e cinco anos e foi morar
de Can ensato,
aã, a qual deixou à sua posteridade. Era homem muito s
prudente e de sobre o que
grande espírito e tão eloqüente que podia persuadir
quisesse. Como nenhum outro o igualava em capacidade e em virtude, deu aos
homens um conhecimento muito mais perfeito da grandeza de Deus, como jamais tiveram antes. Foi ele quem primeiro ousou dizer que existe um só Deus, que o universo é obra das mãos dEle e que a nossa felicidade deve ser atribuída unicamente à sua bondade, e não às nossas próprias forças. O que o levava a falar dessa maneira era o fato de ter deduzido, após considerar atentamente o que se passava sobre a terra e sobre o mar e o curso do Sol, da Lua e das estrelas, que há um poder superior regulando esses movimentos, sem o qual todas as coisas cairiam em confusão e desordem, por não terem de si mesmas poder algum para nos proporcionar os benefícios que delas haurimos — elas os recebem dessa potência superior, à qual estão
absolutamente sujeitas, o que nos obriga a honrar somente a Ele e a reconhecer o que lhe devemos por contínuas ações de graças. Os caldeus e os outros povos da Mesopotâmia, não podendo tolerar as palavras de Abraão, levantaram-se contra ele. Assim, por ordem e com o auxílio de Deus, ele saiu do país para ir morar na terra de Canaã. Lá, construiu um altar e ofereceu a Deus um sacrifício. Berose, sem nomeá-lo, fala nestes termos desse grande homem: "Na décima era, depois do dilúvio, havia entre os caldeus um homem muito justo e muito hábil na ciência dos astros". Hecateu cita-o somente de passagem, mas escreveu um livro inteiro sobre esse assunto. Lemos no quarto livro da história de Nicoiau de Damasco estas apropriadas palavras: "Abraão saiu com grande acompanhamento da terra dos caldeus, que está acima da Babilônia, reinou em Damasco e partiu algum tempo depois com todo o seu povo, estabeleceu-se na terra de Canaã, que agora se chama Judéia, onde a sua posteridade se multiplicou de maneira incrível, como direi mais particularmente em outro lu-gar. O nome de Abraão é ainda hoje muito célebre e tido em grande veneração na terra de Damasco. Vê-se aí uma aldeia que tem o seu nome e onde se diz que ele morou".  UMA GRANDE CARESTIA OBRIGA ABRAÃO A IR AO EGITO. O FARAÓ APAIXONA-SE POR SARA. DEUS A PRESERVA. ABRAÃO RETORNA PARA
CANAÃ E DIVIDE OS SEUS BENS COM LÓ, SEU SOBRINHO. 23. Gênesis 12 e 13. O país de Canaã foi então assolado por grande carestia, e Abraão, tendo sabido nesse mesmo tempo que o Egito desfrutava grande abundância, resolveu tanto mais facilmente ir para lá quanto lhe era interessante conhecer os sentimentos dos sacerdotes daquele país com relação à Divindade. E, se eles fossem mais bem instruídos do que ele, conformar-se-ia à sua crença, mas se, ao contrário, ele fosse o mais instruído, comunicaria a eles a sua fé. Como Sara, sua esposa, era muito formosa, e sabendo ele da incontinência dos egípcios, e temendo que o rei se apaixonasse por ela e o
mandasse matar, fingiu que ela era sua irmã e ensinou-lhe como proceder para evitar esse perigo.
O que ele havia previsto aconteceu. A fama da beleza de Sara espalhou-se
logo. O rei quis vê-la e ambém possuí-la. Deus, não somente vê-la, como t
porém, impediu a realização do seu mau sígnio por meio de uma peste, que
de he avassalou o reino, e pela revolta dos seus súditos. Por isso o príncipe consultou os seus sacerdotes, para saber de que maneira se poderia aplacar a cólera divina. Responderam-lhe que a violência que ele queria fazer à mulher de um estrangeiro era a causa daquilo. Faraó, espantado com a resposta, perguntou quem era essa mulher e quem era esse estrangeiro. Depois de haver sabido de tudo, pediu grandes desculpas a Abraão, disse-lhe que julgara que fosse sua irmã, e não sua mulher, e que em vez de querer fazer-lhe afronta não tivera outro intento senão contrair aliança com ele. Deu-lhe em seguida grande soma de dinheiro e permitiu-lhe conversar com os homens mais instruídos do reino. Essa conversa tornou conhecida a sua virtude e granjeou-lhe grande renome, pois apesar de os sábios do Egito serem de sentimentos diversos, impondo essa diversidade uma grande divisão entre eles e Abraão, ele tão claramente lhes deu a conhecer que estavam longe da verdade que eles lhe admiraram mais a grandeza de espírito que o dom de persuadir. Ele ensinou-lhes até mesmo a aritmética e a ciência dos astros, que lhes eram desconhecidas: foi por meio dele que essas ciências passaram dos caldeus aos egípcios e dos egípcios aos gregos
.2 o. Os 4. Abraão, ao voltar a Canaã, dividiu o país com Ló, seu sobrinh
guardas sa das de seus rebanhos estavam brigados uns com os outros por caupastroagens. Então ele disse a Ló que escolhesse e tomou para si o que o ou não q has.uis, contentando-se com as terras que estão ao pé das montan
Estabeleceu em seg , que é sete anosuida a sua moradia na cidade de Hebrom mais velha que Tanis, no Egito. Quanto a Ló, escolheu ele as planícies que estão ao longo do rio Jordão e próximas da cidade de Sodoma, que estava então em franco progresso, mas que agora se acha inteiramente destruída pela justa vingança de Deus — e nada resta dela, nem mesmo o menor vestígio, como diremos em seguida.OS ASSÍRIOS DERROTAM SODOMA. LEVAM DIVERSOS PRISIONEIROS, DENTRE ELES LÓ, QUE VIERA PRESTAR AUXÍLIO. 25. Gênesis 14. O império da Ásia achava-se então nas mãos dos assírios, e o país de Sodoma estava tão populoso e tão rico que era governado por cinco reis de nome Bera, Birsa, Sinabe, Semeber e Bela. Os assírios
ataca
ram-nos com grande e poderoso exército, que dividiram em quatro corpos, comandados por quatro chefes. Tendo obtido a vitória depois de sangrento combate, obrigaram os reis de Sodoma a pagar tributo. Estes lhes estiveram sujeitos durante doze anos. No décimo terceiro ano, revoltaram-se. Os assírios, para se vingar, voltaram segunda vez, sob o comando de Marfede, de Arioque, de Codologomo e de Tidal, devastaram toda a Síria, subjugaram os
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descendentes dos gigantes e entraram nas terras de Sodoma, onde acamparam no vale que tinha o nome de Poços de Betume, por causa dos poços de betume natural que ali existiam, mas que depois da destruição de Sodoma foi mudado num lago que se chama Asfaltite, porque o betume dele sai continuamente aos borbotões. Travou-se grande combate, que foi muito renhido: vários de Sodoma foram mortos e muitos foram feitos prisioneiros, dentre os quais estava Ló, que viera prestar auxílio. CAPÍTULO 10
ABRAÃO PERSEGUE OS ASSÍRIOS, AFUGENTA-OS, LIBERTA LÓ E TODOS OS OUTROS PRISIONEIROS. O REI DE SODOMA E MELQUISEDEQUE, REI DE JERUSALÉM, PRESTAM-LHE GRANDES HONRAS. DEUS PROMETE-LHE QUE ELE TERÁ UM FILHO COM SARA. NASCIMENTO DE ISMAEL, FILHO DE ABRAÃO E AGAR. CIRCUNCISÃO ORDENADA POR DEUS. 26. Gênesis 14. Abraão ficou tão comovido com a derrota dos habitantes de Sodoma, que eram seus vizinhos e amigos, e com o cativeiro de Ló, seu sobrinho, que resolveu ajudá-los. Sem retardar um só momento, seguiu os assírios e alcançou-os no quinto dia, perto de Dã, uma das nascentes do Jordão. Surpreendeu-os à noite vencidos pelo vinho e pelo sono e matou grande parte deles. Pôs os restantes em fuga e perseguiu-os todo o dia seguinte até Soba de Damasco. Esse grande feito fez ver que a vitória não depende do grande número, mas da coragem dos combatentes, pois Abraão tinha com ele apenas
trezen
tos e dezoito homens e três de seus amigos quando derrotou aquele grande exército. Os poucos assírios que restaram fugiram para o seu país cobertos de vergonha e de confusão. Assim, Abraão libertou Ló e todos os outros prisioneiros e voltou plenamente vitorioso. 27. O rei de Sodoma veio até ele no lugar a que chamam Campo Real, onde o rei de Salém, que agora é Jerusalém, o recebeu com grandes
demo
nstrações de estima e de amizade. Esse príncipe chamava-se Melquisedeque, isto é, "rei justo". E ele era verdadeiramente justo, pois a sua virtude era tal que, por consentimento unânime, havia sido feito sacerdote do Deus Todo-poderoso. Ele não se contentou em receber penas a Abraão, mas
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também a todos os seus. Deu-lhes, no meio dos banquetes que realizou, os louvores devidos à sua coragem e virtude e prestou a Deus públicas ações de graças por tão gloriosa vitória. Abraão, por sua vez, ofereceu a Melquisedeque a décima parte dos despojos que tomara dos inimigos, e este aceitou, já o rei de Sodoma, ao qual Abraão ofereceu também parte dos despojos, teve dificuldade em receber a oferta, contentando-se com a parte de seus súditos. Mas Abraão o obrigou a receber tudo, reservando-se somente alguns víveres para os seus homens e uma parte dos despojos para os seus três amigos, Escol, Aner e Manre, que o haviam acompanhado. 28. Gênesis 15. Esse ato generoso de Abraão foi tão agradável aos olhos de Deus que Ele afirmou que não o deixaria sem recompensa, pelo que Abraão respondeu: "E como, Senhor, os vossos benefícios me poderiam dar alegria, pois
que n
ão deixarei a ninguém depois de mim que deles possa gozar e possuí-los?" Ele ainda não tinha filhos. Então Deus prometeu que lhe daria um filho e que a sua posteridade seria tão grande que igualaria o número das estrelas. Ordenou-lhe em seguida que oferecesse um sacrifício, e eis a ordem que ele observou: tomou uma novilha de três anos, uma cabra e um carneiro da mesma idade, que cortou em pedaços, e uma rola e uma pomba, que ofereceu inteiras, sem partir. Antes de erguer o altar, quando as aves adejavam em torno das vítimas, para se alimentar de seu sangue, ele ouviu uma voz do céu vaticinando que os seus descendentes sofreriam durante quatrocentos anos grande perseguição no Egito, mas que triunfariam enfim sobre os seus inimigos, venceriam os cananeus e se tornariam senhores de seu país.
29. Gênesis 16. Abraão morava naquele tempo num lugar chamado
Carvalho de Manre, muito próxim de Hebrom. Como vivia sempre
o da cidade aflito, e lhe por ver que sua mulher era estéril, não deixava de rogar a Deus qu desse u como
m filho. E Deus não somente confirmou a promessa que lhe fizera,
lhe garan ndo ele tiu ainda todas as outras coisas que lhe havia prometido qua
fora obrigado a deixar a Mesopotâmia.
30. e Agar,Sara, então, deu a Abraão uma de suas escravas, de nom
egípcia, a fim de que esta lhe desse um filho. Quando a escrava se sentiu
grávida, desprezou a sua senhora e vangloriou-se de que os seus filhos seriam um dia os herdeiros de Abraão. Esse homem justo ficou horrorizado com aquela ingratidão e deixou Sara à vontade para castigar a escrava eômo bem entendesse. Agar, cheia de dor e de sofrimento, fugiu para o deserto e rogou a Deus que tivesse compaixão de sua miséria. Estava ainda nesse estado quando um anjo ordenou-lhe que voltasse à sua senhora, asseverando-lhe que esta a perdoaria, contanto que Agar reconhecesse a sua falta e aceitasse o castigo que devia receber como justa punição por sua ingratidão e por seu orgulho.
Acrescentou que, se em vez de obedecer a Deus, ela se afastasse mais, pereceria miseravelmente. Todavia, se se submetesse de boa vontade, seria mãe de um filho que um dia haveria de reinar naquela província. Ela obedeceu, pediu perdão à sua senhora, e o obteve, e pouco tempo depois deu à luz um filho, que foi chamado Ismael, isto é, "atendido", para mostrar que Deus atendera às orações de sua mãe. 31. Gênesis 17. Abraão tinha oitenta e seis anos quando nasceu Ismael e noventa e nove anos quando Deus lhe apareceu e disse que Sara teria um filho, o qual se chamaria Isaque, cuja posteridade seria muito grande e da qual nasceriam dois reis, que submeteriam pelas armas toda a terra de Canaã, desde Sidom até o Egito. E, a fim de distinguir a sua raça de outras nações, mandou circunci-dar todas as crianças do sexo masculino, oito dias após o nascimento, de que darei ainda outra razão. E, sobre o que Abraão pediu a Deus, se Ismael viveria, Ele respondeu-lhe que viveria muito tempo e que a sua posteridade também seria muito grande. Abraão deu graças a Deus por esses favores e logo fez-se circunci-dar com toda a sua família, tendo já Ismael a idade de treze anos.
UM ANJO PREDIZ QUE SARA TERÁ UM FILHO. DOIS ANJOS VÃO A SODOMA. DEUS EXTERMINA A CIDADE. SOMENTE LÓ SE SALVA COM AS SUAS DUAS FILHAS E SUA MULHER, QUE É TRANSFORMADA EM ESTÁTUA DE SAL. NASCIMENTO DE MOABE E DEAMOM. DEUS IMPEDE QUE O REI ABIMELEQUE EXECUTE O SEU MAU INTENTO COM RELAÇÃO A SARA. NASCIMENTO DE ISAQUE. 32. Gênesis 78 e 7 9. Os povos de Sodoma, cheios de orgulho por sua abundância e grandes riquezas, esqueceram-se dos benefícios que haviam recebido de Deus e não foram menos ímpios para com Ele do que ultrajosos para com os homens. Odiavam os estrangeiros, e chafurdaram-se em prazeres inomináveis. Deus, irritado pelos seus crimes, resolveu castigá-los: destruir a sua cidade de tal modo que não restasse o menor vestígio dela, tornando o país tão estéril que jamais pudesse produzir fruto ou planta alguma. 33. Um dia, quando Abraão estava sentado à porta de sua casa, junto ao carvalho de Manre, três anjos apresentaram-se a ele. Tomou-os por estrangeiros e, tendo-se levantado para saudá-los, ofereceu-lhes a sua casa. Os anjos aceitaram a sua hospitalidade. Abraão mandou matar um vitelo, que lhes foi servido assado com bolos de farinha. Puseram-se à mesa debaixo do carvalho, e pareceu a Abraão que eles comiam. Perguntaram-lhe depois onde estava a sua mulher. Ele respondeu-lhes que estava em casa e mandou logo chamá-la. Quando ela chegou, disseram-lhe que voltariam algum tempo depois
e a encontrariam grávida. A essas palavras ela sorriu, porque, sendo idosa — tendo já noventa anos, e seu marido, cem —, julgava que fosse impossível. Então os anjos, não mais se ocultando, declararam que eram enviados de Deus, um para anunciar-lhes que teriam um filho e os outros dois para exterminar Sodoma. Abraão, consternado pela ruína daquele povo infeliz, rogou a Deus que não fizesse morrer os inocentes com os culpados. Deus respondeu-lhe que não havia lá inocentes e que, se ao menos dez fossem encontrados como tais, Ele perdoaria a todos os outros. Depois dessa resposta, Abraão não ousou mais falar em favor deles. 34. Os anjos chegaram a Sodoma, e Ló, a exemplo de Abraão, também se mostrou muito atencioso para com os estrangeiros, rogando-lhes que ficassem
em sua casa. Os habitantes dessa detestável cidade, vendo-os tão belos e tão apresentáveis, pediram a Ló, em cuja casa eles haviam entrado, que os entregasse, para que se servissem deles. Esse homem justo censurou-os, rogando-lhes que tivessem mais compostura, que não lhes fizessem injúria alguma, ultrajando os estrangeiros que estavam hospedados em sua casa, e que não violassem em suas pessoas os direitos da hospitalidade. Acrescentou que, se essas razões não os persuadissem, ele preferia entregar-lhes as próprias filhas. Mas nem isso os convenceu. Deus contemplava com olhares de cólera a ousadia daqueles celerados, e feriu-os com tal cegueira que não puderam achar a saída da casa de Ló. Resolveu então exterminar aquele povo abominável. Ordenou a Ló que se retirasse com toda a sua família e avisasse àqueles aos quais as suas duas filhas, que ainda eram virgens, haviam sido prometidas em casamento que também partissem. Mas eles zombaram do aviso, dizendo que era uma das habituais imaginações de Ló. Deus então lançou do céu os raios de sua cólera e de sua vingança contra essa cidade criminosa. Ela foi imediatamente reduzida a cinzas, com todos os seus habitantes. O mesmo fogo destruiu toda a região vizinha, como já disse na minha história da Guerra dos Judeus. 35. A mulher de Ló, que fugia com ele, contrariando a proibição divina, voltou-se para trás, a fim de ver a cidade e o terrível incêndio. Foi transformada numa estátua de sal e assim castigada pela sua curiosidade. Falei em outro lugar dessa estátua, que ainda hoje pode ser vista. Assim, Ló retirou-se com as duas filhas a um recanto do país, o único poupado, que até hoje tem o nome de Zoar, isto é, "pequeno". Eles viveram algum tempo com muita dificuldade, tanto porque estavam sozinhos quanto por trazerem consigo de casa muito pouco alimento. As duas filhas, julgando que toda a raça dos homens havia perecido, acharam que lhes era permitido, para conservá-la, enganar o pai. Dessa maneira, a mais velha teve dele um filho, a que chamou Moabe, que significa "de meu pai", e a mais jovem deu à luz Ben-Ami, isto é, "filho de minha raça". Do primeiro vieram os moabitas, que ainda hoje são um povo poderoso. Os amonitas são descendentes do segundo, e alguns deles habitam a Síria de Ceiem. Eis de que maneira Ló se salvou do incêndio de Sodoma.
36. Gênesis 20. Quanto a Abraão, ele retirou-se a Gerar, na Palestina. O
medo que tinha do rei Abimeleque levou-o a fingir uma segunda vez que Sara
era sua irmã. E ess ela. Mas Deus lhe e príncipe não deixou de se enamorar d
impediu o perverso desígnio enviando-lhe uma grave enfermidade, e quando
estava abandonado pelos médicos avisou-o em sonhos de que não fizesse ultraje algum a Sara, porque era esposa daquele estrangeiro, e não sua irmã. Abimeleque, encontrando-se um pouco melhor ao despertar, contou o sonho aos que estavam junto dele e por conselho destes mandou chamar a
Abraão. Disse-lhe que nada temesse por sua mulher, pois Deus se havia tornado protetor dela, e que tomava Abraão como testemunha, tanto quanto ela, de que a devolvia pura às suas mãos. Disse-lhe também que, se tivesse sabido que era sua esposa, não lha teria tirado, mas julgara ser ela somente sua irmã, e que não lhe faria injustiça alguma. Suplicou-lhe então que não guardasse ressentimento contra ele, mas, ao contrário, rogasse a Deus que lhe fosse favorável. E, ademais, se desejasse habitar nos seus estados, receberia toda sorte de atenções, ou, se pensasse em retirar-se, fá-lo-ia acompanhar e dar-lhe-ia todas as coisas que viera buscar em seu país. Abraão respondeu-lhe que nada dissera contra a verdade ao chamá-la de irmã, pois ela era filha de um irmão seu, e que havia assim procedido apenas por medo do perigo ao qual se julgava exposto. Estava muito aborrecido por ter sido a causa da enfermidade do rei e de todo o coração desejava-lhe a saúde. E ficaria com muito prazer em suas terras. Abimeleque, ante essa resposta, deu-lhe dinheiro e terras e fez aliança com ele, confirmando-a com juramento junto aos poços ainda hoje denominados Berseba, isto é, "poço do juramento". 37. Gênesis 21. Algum tempo depois, Abraão teve de sua mulher, Sara, segundo a promessa que Deus lhe havia feito, um filho ao qual chamou Isaque, isto é, "riso", porque Sara havia sorrido quando, sendo já bastante idosa, o anjo lhe anunciou que teria um filho. Ele foi circuncidado ao oitavo dia, segundo o costume que ainda hoje se observa entre os judeus. E, enquanto eles fazem a circunci-são ao oitavo dia do nascimento da criança, os árabes a realizam à idade de treze anos, porque Ismael, do qual são originários e de quem irei falar em seguida, foi circuncidado com essa idade.
SARA OBRIGA ABRAÃO A AFASTAR A DE SEU PRÓPRIO FILHO. UM ANJO GAR E ISMAEL CONSOLA AGAR. POSTERIDADE DE ISMAEL.
38. Gênesis 22. Sara, de início, amou Ismael como se fosse seu próprio filho, porque o considerava sucessor de Abraão. Quando se viu mãe de Isaque, todavia, julgou que não era mais conveniente criá-los juntos, porque Ismael, sendo muito mais velho, poderia muito facilmente, após a morte de Abraão,
tornar-se senhor. Assim, ela persuadiu Abraão a afastá-lo, juntamente com sua mãe. Ele, em princípio, teve dificuldades em fazê-lo, porque lhe parecia desumano expulsar de casa uma criança e uma mulher aos quais tudo faltava. No entanto Deus lhe deu a conhecer que ele devia dar essa satisfação a Sara. Como Ismael não era ainda capaz de se governar sozinho, ele o entregou à mãe, a quem disse que se fosse embora, dando-lhe apenas alguns pães e um odre cheio de água. Depois de se haver esgotado o pão e o pouco de água, Ismael sentiu tal sede que estava a ponto de morrer, e Agar, não podendo suportar a pena de vê-lo morrer diante de seus próprios olhos, colocou-o ao pé de um pinheiro e afastou-se. Um anjo apareceu e mostrou-lhe uma fonte que estava próxima, recomen-dando-lhe que tivesse muito cuidado com o filho e asseverando-lhe que, se cumprisse bem esse dever, ela seria íeliz. Uma consolação tão inesperada fê-la retomar a coragem: continuou a andar e encontrou alguns pastores, que a ajudaram em tão grave necessidade. Quando Ismael chegou à idade de se casar, Agar deu-lhe por esposa uma mulher egípcia, porque ela também havia nascido no Egito. Ele teve doze filhos: Nebaiote, Quedar, Abdeel, Mibsão, Misma, Duma, Massa, Hadade, Tema, Jetur, Nafis e Quedemá. Eles ocuparam toda a região que está entre o Eufrates e o mar Vermelho e a chamaram Nabatéia. Os árabes originaram-se deles, e os seus descendentes conservaram o nome de nabateenses por causa do seu valor e da fama de Abraão.
ABRAÃO, PARA OBEDECER À ORDEM DE DEUS, OFERECE-LHE O FILHO ISAQUE EM SACRIFÍCIO. DEUS, PARA RECOMPENSAR-LHE A FIDELIDADE, CONFIRMA-LHE TODAS AS PROMESSAS. 39. Gênesis 22. Nada se poderia acrescentar à ternura que Abraão tinha para com Isaque, tanto porque era o único filho quanto porque lhe fora concedido por Deus em sua velhice. E Isaque, por sua vez, praticava com tanto entusiasmo toda espécie de virtudes, servia a Deus com tanta fidelidade e prestava a seu pai tantos serviços que dava a Abraão todos os dias novos motivos para amá-lo. Assim, Abraão só pensava em morrer, e seu único desejo era deixar aquele filho como seu sucessor. Deus concedeu o que Abraão desejava, mas antes quis experimentar a sua fidelidade. Apareceu-lhe e, depois de haver-lhe lembrado as graças particulares com que sempre o favorecera, as vitórias que o haviam feito conquistar os inimigos e a prosperidade com que o brindara, ordenou-lhe que lhe sacrificasse o filho Isaque sobre o monte Moriá e assim testemunhasse, por aquele ato de obediência, que ele preferia a vontade divina ao que ele tinha de mais caro no mundo.
Estando Abraão persuadido de que nenhuma consideração poderia dispensá-lo de obedecer a Deus, a quem todas as criaturas são devedoras da própria existência, nada disse à sua esposa nem a qualquer outro de seus familiares sobre a ordem que havia recebido de Deus ou acerca da resolução de executá-la, com medo que eles se esforçassem para dissuadi-lo de seu propósito. Disse somente a Isaque que o seguisse, acompanhado por dois criados, e mandou colocar sobre um jumento todas as coisas de que necessitava para o sacrifício. Após haver caminhado durante dois dias, avistaram o monte que Deus lhe havia indicado. Deixou então os dois criados no sopé do monte e subiu-o somente com Isaque (no cimo desse monte o rei Davi, mais tarde, fez construir um Templo). Levou para lá tudo o que precisavam, exceto a vítima, para o sacrifício. Isaque tinha então vinte e cinco anos. Ele preparou o altar, mas, não vendo vítima alguma, perguntou ao pai quem ele queria sacrificar. Abraão respondeu-lhe que Deus, que pode dar aos homens todas as coisas que lhes faltam e tirar-lhes as que já possuem, dar-lhes-ia uma vítima, se se dignasse aceitar o sacrifício deles. Depois de haver colocado a lenha sobre o altar, Abraão falou a Isaque:
"Meu filho, eu vos pedi a Deus com muita insistência e muitas orações. Não houve cuidado que eu não tivesse tido de vós, desde que viestes ao mundo, e eu consideraria como realizados todos os meus votos se vos visse chegar a uma idade muito avançada e deixar-vos, ao morrer, como herdeiro de tudo o que possuo. Mas, como Deus, depois de vos ter dado a mim, quer agora que eu vos perca, consenti generosamente em oferecer-vos a Ele em sacrifício. Prestemos-Ihe, meu filho, esse ato de obediê onra como testemunho de nossancia e essa h gratidão pelos favores ncia que nos deu na
que Ele nos fez na paz e pela assistê guerra. Como nascestes para morrer, que fim vos pode ser mais glorioso do que ser o ferecido em sacrifício por vosso próprio pai ao soberano Senhor do universo, que, em vez de terminar a vossa vida por uma doença, numa cama, ou por uma ferida na guerra, ou por algum outro acidente, aos quais os ho-mens estão sujeitos, vos julga digno de entregar-lhe a alma no meio de orações e sacrifícios, de modo a ficar para sempre unida a Ele? Consolareis assim a minha velhice, dando-me a assistência de Deus em lugar da que eu devia receber de vós, depois de vos ter educado com tanta diligência". Isaque, filho digno de tão admirável pai, escutou essas palavras não some teriante sem se admirar, mas até com alegria, e respondeu-lhe que ele sido indigno de nasce vontade de seu pai,
r se se recusasse a obedecer à principalmente quando ela estava de acordo com a de Deus. Assim dizendo,colocou-se ele mesmo sobre o altar, para ser imolado. Esse grande sacrifício ter-se-ia realizado se Deus mesmo não o tivesse impedido. Ele chamou Abraão pelo nome e proibiu-o de matar o filho, dizendo-lhe que havia ordenado o sacrifício não para tirá-lo depois de o haver concedido ou porque sentia prazer em ver derramar sangue humano, mas somente para lhe experimentar a obediência. Agora, vendo com quanto zelo e fidelidade fora obedecido, aceitava o sacrifício e garantia-lhe, como recompensa, que jamais deixaria de assistir a ele e a toda a sua descendência. Quanto ao filho que lhe fora oferecido e que iria restituir, viveria feliz e por muito tempo, e a sua posteridade seria ilustre por uma longa série de homens valentes e virtuosos, que submeteriam pelas armas todo o país de Canaã. A fama deles tomar-se-ia imortal. As suas riquezas seriam tão grandes e a sua felicidade tão extraordinária que eles seriam invejados por todas as outras nações. Concluído esse oráculo, Deus fez aparecer um carneiro, para ser oferecido em sacrifício. Aquele pai fiel e seu filho sensato e feliz abraçaram-se, no auge da alegria, pela grandeza das promessas, terminaram o sacrifício e voltaram para encontrar Sara. Deus, fazendo prosperar todos os seus desígnios, cumulou de felicidade todo o restante da vida de Abraão. MORTE DE SARA, MULHER DE ABRAÃO.
40. Gênesis 23. Algum tempo depois, Sara morreu, com a idade de cento e vinte e sete anos, e foi enterrada em Hebrom, onde os cananeus se ofereceram para lhe dar sepultura. Abraão, porém, preferiu adquirir para esse fim um campo que comprou, por quatrocentos sidos — de um habitante de Hebrom, chamado Efrom —, onde ele e seus descendentes construíram um túmulo.
ABRAÃO DESPOSA QUETURA, DEPOIS DA MORTE DE SARA. FILHOS QUE TEVE DELA E SUA POSTERIDADE. FAZ SEU FILHO ISAQUE CASAR-SE COM REBECA, FILHA DE BETUEL E IRMÃ DE LABÃO. 41. Gênesis 25. Abraão, depois da morte de Sara, desposou Quetura e teve dela seis filhos, todos infatigáveis no trabalho e muito ativos. Chamavam-se Zinrã, jocsã, Meda, Midiã, Isbaque e Suá. Jocsã teve dois filhos, Seba e Dedã, o qual teve Assurim, Letusim e Leumim. Midiã teve cinco filhos: Efá, Efer, Enoque, Abida e Elda. Abraão aconselhou a todos que se fossem estabelecer em outros países. Eles ocuparam a Troglodita e toda aquela parte da Arábia Félix que se estende até o mar Vermelho. Diz-se também que Efer, de que acabamos de falar, apoderou-se da Líbia por meio das armas e que os seus descendentes lá se estabeleceram e a chamaram com o nome dele: África, o que Alexandre Poliistor confirma com estas palavras: "O profeta Cleodemas, cognominado Malque, que a exemplo do legislador Moisés escreveu a história dos judeus, diz que Abraão teve de Quetura, dentre outros filhos, a Afram, Sur e lafram: Sur deu o seu nome à Síria, Afram à cidade Afra e lafram à África, e que eles combateram na Líbia contra Anteu, sob o comando de Hércules". Ele acrescenta que Hércules desposou a filha de Afram e que dela teve um filho de nome Deodoro, o qual foi o pai de Sofo, que deu nome aos sofácios. 42. Cênesis 24. Isaque tinha mais ou menos quarenta anos quando Abraão pensou em casá-lo, lançando vistas sobre Rebeca, filha de Betuel, que era filho de Naor, seu irmão. Em seguida, ele escolheu para ir pedi-la em casamento o mais amigo dentre os seus servidores, ao qual obrigou por
juramento, fazendo-o pôr a mão sob a sua coxa, executar tudo o que ele lhe ia ordenar. Deu-lhe presentes raros, que seriam admirados num país onde ainda
nada fora visto de semelhante. Esse fiel servidor demorou-se muito tempo antes de chegar à cidade de Harã, porque lhe foi necessário atravessar a Mesopotâmia, onde havia grande quantidade de ladrões, onde os caminhos são muito difíceis no inverno e onde se sofre muito no verão, pela dificuldade em se encontrar água. Quando chegou aos arredores da cidade, avistou várias moças, que iam ao poço buscar água. Rogou então a Deus que, se fosse a sua vontade que Rebeca desposasse o filho de seu senhor, fizesse com que ela se encontrasse entre as moças e que, recusando-se as outras a lhe darem de beber, ele pudesse conhecê-la pelo ato de gentileza com que o atenderia. Aproximou-se em seguida dos poços e rogou às moças que lhe dessem água. Todas responderam que era muito difícil tirá-la e que dela também precisavam, não podendo assim atendê-lo. Rebeca, ouvindo-as falar assim, disse-lhes que elas eram bem indelicadas por recusar aquele favor a um estrangeiro e ao mesmo tempo ofereceu-lhe água com grande bondade. Tão favorável início deu ao prudente servidor esperanças de que a sua viagem lograsse bom êxito. Ele agradeceu-lhe e, para ter ainda maior certeza de suas conjecturas, rogou-lhe que dissesse quem eram os que tinham a ventura de tê-la por filha. A isso acrescentou que desejava que Deus lhe fizesse a graça de encontrar um marido digno dela, ao qual desse filhos que lhe herdassem a virtude. A sensata donzela respondeu-lhe, com a mesma gentileza, que se chamava Rebeca, que seu pai era Betuel e que depois da morte deste Labão,
seu irmão, passara a cuidar dela, de sua mãe e de toda a sua família. Então o servo, vendo com grande alegria não haver mais dúvida de que Deus o assistia no desempenho de sua missão, ofereceu a Rebeca uma cadeia e outros ornamentos próprios para donzelas e rogou-lhe que os recebesse como um sinal de gratidão pelo favor que ela, dentre todas as moças, tivera a
bondade de lhe prestar. Suplicou-lhe em seguida que o levasse à casa de seus parentes, porque a noite já se a trazendo ele objetos de muito
proximava e,valor, julgava não haver melh dá-los do que na casa dela.
or lugar onde guar Disse ainda que, julgando da virtude de seus familiares pela que via nela, não duvidava de que o receberiam, pois não pretendia ser-lhes de peso: pagaria todas as despesas. Ela respondeu-lhe que ele não errava fazendo boa idéia de seus parentes, mas não lhes fazia muita honra ao pensar que eles seriam capazes de receber alguma coisa por lhe darem hospedagem, pois cumpriam de muito boa mente o dever da hospitalidade. Iria em seguida falar com o irmão e o traria imediatamente, para se entender ara casa e fez o que havia pro-em. Ela foi prometido. Labão ordenou aos servos que cuidassem dos camelos e convidou ohóspede para jantar.Qua ão, filho
ndo terminaram a refeição, o servo de Abraão disse-lhe: "Abra
de Te tou:rá, é vosso parente". Depois, dirigindo-se à mãe de Rebeca, acrescen "Naor, avô do Abraão é meus filhos de quem sois a mãe, era irmão de Abraão. A senhor. Ele mandou-me até v mento esta moça para o seu
ós para pedir em casa único filho, herdeiro de todos os seus bens. Ele poderia ter escolhido uma das donzelas mais ricas de seu país, mas julgou melhor prestar essa homenagem aos de sua descendência, em vez de se aliar aos de uma nação estrangeira. Secundai, por favor, o seu desejo, e com tanto maior alegria, pois isso é, sem dúvida, conforme a vontade de Deus, que, além da assistência que me prestou na viagem, me fez encontrar com rara felicidade esta virtuosa donzela e a vossa casa. Tendo, ao chegar, encontrado diversas moças que iam tirar água do poço, desejava eu uma que fosse do seu número e que a pudesse conhecer, e assim aconteceu. Portanto, tendo Deus vos feito ver que esse casamento lhe agrada, poderíeis recusar o vosso consentimento e não conceder a Abraão o pedido que vos faz por meu intermédio?"
Uma proposta tão vantajosa e da qual Labão e sua mãe não podiam duvidar que de era agradável a Deus foi recebida por eles com uma satisfação inimaginável. Então enviaram Rebeca, e Isaque a desposou, estando já de posse de todos os bens de seu pai, pois os filhos que Abraão tivera de Quetura haviam ido se estabelecer em outras províncias.

A MORTE DE ABRAÃO.
43. Gênesis 25. Abraão morreu pouco depois do casamento de Isaque. Foi tão eminente em toda espécie de virtudes que mereceu ser muito particularmente querido e favorecido por Deus. Viveu cento e setenta e cinco anos. Isaque e Ismael, seus filhos, sepultaram-no em Hebrom, junto de Sara, sua mulher.

REBECA TEM DOIS FILHOS: ESAÚ EJACÓ. UMA GRANDE CARESTIA OBRIGA ISAQUE A
SAIR DO PAÍS DE CANAÃ, E ELE PERMANECE ALGUM TEMPO NAS TERRAS DO REI ABIMELEQUE. CASAMENTO DE ESAÚ. ISAQUE, ENGANADO POR JACÓ, OUTORGA-LHE A BÊNÇÃO, JULGANDO DÁ-LA A ESAÚ. PARA EVITAR A CÓLERA DE SEU IRMÃO, JACÓ RETIRA-SE PARA A MESOPOTÂMIA. 44. Gênesis 25. Rebeca estava grávida à morte de Abraão, e de maneira tão esquisita que Isaque, temendo por ela, consultou a Deus para saber qual seria o fim daquela estranha gravidez. Deus respondeu-lhe que ela teria dois
filhos
, dos quais sairiam dois povos, que teriam deles os nomes e a origem. O mais novo, porém, seria o mais poderoso. Viu-se pouco tempo depois o efeito dessa predição. Rebeca teve gêmeos, sendo o mais velho todo coberto de pêlos, e o mais novo segurava-lhe o calcanhar quando vieram à luz. O mais velho chamou-se Esaú, por causa dos pêlos que apresentava ao nascer, e Isaque tinha por ele afeto particular. O mais novo foi chamado Jacó, e Rebeca amava-o
muito mais que ao primogênito.
45. Gênesis 26. O país de Canaã foi nesse mesmo tempo flagelado por
uma carestia extraordinária. No Egito, entretanto, reinava a abundância. Isaque
resolveu ir para lá, mas Deus lhe ordenou que parasse em Gerar. Como havia
grand
e amizade entre o rei Abimeleque e Abraão, o monarca mostrou-lhe de início muito boa vontade. Mas quando viu que Deus o favorecia em todas as coisas, começou a sentir inveja e obrigou-o a se retirar. Isaque foi então para um lugar de nome Fará, isto é, um vale muito próximo de Gerar, e aí quis cavar um poço, mas os pastores de Abimeleque vieram armados para impedi-lo. Como ele não era de índole inclinada a brigas, deixou-lhes o lugar e permitiu que se
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gabassem de tê-lo obrigado, pela força, a se retirar, embora ele o tivesse feito
volun
tariamente. Começou em seguida a cavar outro poço, e outros pastores também impediram que ele o terminasse. Vendo-se obstaculizado dessa maneira, resolveu, com muita prudência, esperar um tempo mais favorável, e este chegou bem depressa. Com permissão de Abimeleque, cavou um poço ao qual chamou Reobote, isto é, "grande e espaçoso". Quanto aos dois outros que havia começado, um chamou-se Eseque, isto é, "disputado", e o outro, Sitna, isto é, "inimizade". 46. No entanto, como Deus prodigalizasse todos os dias novas bênçãos a
Isaqu
e, a sua prosperidade e riqueza fez Abimeleque temer que os motivos que o filho de Abraão tinha para se queixar dele fizessem mais impressão sobre o seu espírito do que a lembrança da amizade que lhe mostrara no início e o levassem a se vingar. E, não o querendo como inimigo, foi ter com ele, acompanhado somente por um dos nobres de sua corte, para renovar a aliança. Não teve dificuldade em conseguir o seu intento porque a bondade de Isaque e a lembrança da antiga amizade desse príncipe por ele e para com Abraão fizeram-no esquecer facilmente todos os maus-tratos que havia recebido. Esaú, na idade de quarenta anos, desposou Ada, filha de Elom, e Oolibama, filha de Zibeão, ambos príncipes dos cananeus.* Não pediu permissão ao seu pai, que jamais a teria concedido, porque não aprovava que ele se aliasse a estrangeiros. No entanto, como não queria aborrecer o seu filho, ordenando-lhe que devolvesse as duas mulheres, Isaque suportou-o, sem nada
dizer.
___________ * E judite (Gn 26.34). (N do E) 47. Gênesis 27. Homem justo e acabrunhado pela velhice, Isaque havia também perdido a vfsíío: Um dia, "mandou chamar Esaú é disse-lhe que, não podendo mais ver a claridade do dia nem servir a Deus com todo esmero, como sempre o fizera, queria, antes de morrer, dar-lhe a sua bênção. Disse-lhe que fosse à caça, trouxesse o que apanhasse para ele, Isaque, comer e em seguida
rogaria a Deus que fosse sempre o seu protetor, pois não via melhor maneira de
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empr
egar o pouco de tempo que lhe restava de vida. Esaú partiu logo para executar a ordem. No entanto Rebeca, que desejava a bênção de Deus sobre o irmão dele, e não sobre ele, embora não fosse essa a intenção de seu pai, disse a Jacó que matasse um cabrito e o preparasse. Ele obedeceu, e, quando a refeição ficou pronta, cobriu os braços e as pernas com a
pele do cabrito, a fim de que Isaque, o tocá-lo, o tomasse por Esaú. Como
a
eram gêmeos, assemelhavam-se e is. Apresentou-lhe em seguida o
m tudo o ma
prato q isse o
ue havia preparado, mas não o fez sem o temor de que ele descobr
engan
o e lhe aplicasse uma maldição em lugar da bênção.
Isaque falou com ele e notou nas suas respostas certa diferença na voz.
Jacó lhe:
então aproximou o braço, e Isaque, depois de havê-lo tocado, disse-
"Vossa
voz, meu filho, parece-me a de Jacó, mas este pêlo que sinto em vosso
braço m guma,
e faz crer que sois Esaú". E assim, não tendo mais dúvida al
comeu as as
e fez depois a sua oração, deste modo: "Deus eterno, do qual tod
criaturas tudo o
recebem o ser, cumulastes o meu pai de benefícios. Devo-vos
que tenho, e prometestes tornar a mi ha posteridade mais feliz ainda.
n
Confi
rmai, Senhor, com os fatos, a verdade de vossas palavras e não desprezeis a fraqueza em que me encontro, pois ela me faz ter ainda mais necessidade da vossa assistência. Sede, por favor, o protetor deste filho que vos ofereço. Preservai-o de todos os perigos, fazei-o passar uma vida tranqüila, derramai sobre ele, a mancheias, os bens de que sois possuidor. Tornai-o temível aos seus inimigos e fazei com que os seus amigos o amem e honrem!" Apenas Isaque havia terminado essa oração, aparece-lhe Esaú, em favor do qual julgava tê-la feito, voltando da caça. Reconheceu então o seu erro e confessou-o, sem se perturbar. Esaú rogou-lhe que fizesse por ele ao menos a mesma oração que havia feito por seu irmão. Isaque respondeu-lhe que não o podia, porque fizera em favor de Jacó tudo o que dependia dele. Esaú, abatido pela dor de ver-se enganado, não pôde reter as lágrimas. O pai ficou tão comovido que lhe deu outra bênção, dizendo que ele e seus descendentes seriam peritos na caça, na ciência da guerra e em todas as ações em que se exige força e coragem, mas seriam, entretanto, inferiores a Jacó e sua posteridade.
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48. Rebeca, para salvar )acó do perigo que o ressentimento do irmão a
fazia
temer, persuadiu Isaque a mandá-lo à Mesopotâmia, para casar-se com uma mulher de sua raça. Esaú, que havia percebido o descontentamento de seu pai por causa da aliança com os cananeus, desposou Basemate, filha de Ismael, e amou-a mais do que a qualquer outra de suas esposas. CAPÍTULO 18
VISÃO QUEJACÓ TEVE NA TERRA DE CANAÃ, ONDE DEUS PROMETE TODA SORTE DE FELICIDADE A ELE E À SUA DESCENDÊNCIA. NA MESOPOTÂMIA, DESPOSA LEIA E RAQUEL, FILHAS DE LABÃO. RETIRA-SE SECRETAMENTE PARA VOLTAR AO SEU PAÍS. LABÃO PERSEGUE-O, MAS DEUS O PROTEGE. LUTA COM UM ANJO E RECONCILIA-SE COM O SEU IRMÃO ESAÚ. O FILHO DO REI DE SIQUÉM VIOLENTA DINÁ, FILHA DEJACÓ. SIMEÃO E LEVI, SEUS IRMÃOS, PASSAM AFIO DE ESPADA TODOS OS HABITANTES DA CIDADE DE SIQUÉM. RAQUEL DÁ À LUZ BENJAMIM E MORRE DE PARTO. FILHOS DE JACÓ.
49. Gênesis 28. Tendo sido Jacó, com o consentimento do pai, enviado por sua mãe à Mesopotâmia, para desposar uma filha de Labão, seu tio, atravessou o país dos cananeus. Mas, por ser uma nação inimiga, não entrou em nenhuma de suas casas. Dormia no campo, utilizando-se das pedras como travesseiro. E, dormindo, teve uma visão. Parecia-lhe ver uma escada que ia da Terra até o céu com pessoas — que pareciam ser mais que humanas — descendo por ela. Deus, que estava no alto, apareceu-lhe claramente, chamou-o pelo nome e disse-lhe: "Jacó, tendo como tendes por pai um homem de bem e tendo o vosso avô se tornado tão célebre pela virtude, por que vos deixais abater pela dor? Concebei melhores esperanças. Grandes bens vos esperam, e eu jamais vos abandonarei. Quando Abraão foi expulso da Mesopotâmia, eu o fiz
vir aq
ui. Tornei feliz o vosso pai, e vós não o sereis menos que ele. Coragem! Continuai o vosso caminho, nada temais sob o meu governo. O vosso casamento será como desejais: tereis muitos filhos, e vossos filhos terão ainda mais. Sujeitar-lhes-ei este país, e à sua posteridade, que se multiplicará de tal modo que todas as terras e os mares que o Sol ilumina serão povoadas por eles. Nenhuma tribulação e nenhum perigo serão capazes de vos assustar. Desde já
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tomo cuidado de vós, e tomarei ainda mais para o futuro". 50. Uma tão favorável visão encheu jacó de consolo e de alegria. Lavou as pedras que lhe serviam de travesseiro, pois grande felicidade ali lhe se havia
predi
to, e fez voto: se retornasse feliz, ofereceria naquele mesmo lugar um sacri-fício a Deus e a décima parte de todos os seus bens, o que cumpriu depois com fidelidade. Quis também, para tornar célebre o lugar, dar-lhe o nome de Betei, isto é, "permanência de Deus". Gênesis 29. Continuou depois a marcha para a Mesopotâmia e por fim chegou a Harã. Nos arredores, encontrou alguns pastores, moços e moças, que estavam sentados à borda de um poço. Rogou-lhes que lhe dessem de beber e, tendo entabulado conversação com eles, perguntou-lhes se conheciam um ho-mem de nome Labão e se ele ainda vivia. Responderam-lhe que o conheciam: era um homem muito estimado para não ser conhecido; que ele tinha uma filha que habitualmente ia ao campo com eles (admiravam-se de ela não estar ali com o grupo); e que ele poderia saber dela tudo o que desejava.
Conversavam assim quando Raquel chegou, acompanhada de seus pastores. Apontaram-lhe Jacó, dizendo que aquele estrangeiro perguntara pela saúde de seu pai. Como ela era muito jovem e muito simples, mostrou-se satisfeita em ver Jacó e perguntou-lhe quem era e que motivo o trazia ao seu país, acrescentando o desejo de que seu pai e sua mãe lhe pudessem dar tudo o que ele queria deles. Tão grande bondade comoveu-o. Estando ela perto de jacó, este ficou bastante surpreendido com a sua beleza, que era extraordinária. "Pois que vós sois filha de Labão", disse-lhe ele, "posso dizer que a nossa aproximação precedeu o nosso nascimento. Terá teve a Abraão por filho, Naor e Arã também. Mas nós somos ainda mais próximos: pois Rebeca, minha mãe, é irmã
de Labão, vosso pai. Assim, somos primos irmãos, e eu vos venho visitar para dar-vos o que vos devo e renovar tão estreita aliança". Raquel, que ouvira o pai falar tantas vezes de Rebeca e do desejo que tinha de receber notícias dela, ficou tão contente que, levada pela alegria, abraçou Jacó e, chorando, disse-lhe que seu pai e toda a sua família guardavam contínua recordação de Rebeca e dela falavam a todo instante. E, como ele não lhes poderia dar maior prazer que as informações sobre uma
pesso
a que lhes era tão cara, rogou-lhe que a seguisse, para não retardar nem
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mais um momento tão grande satisfação. Levou-o depois a Labão, cuja alegria, ao ver o sobrinho quando menos o esperava, não foi menor, e Jacó sentiu-se em segurança junto dele. Alguns dias depois, Labão perguntou-lhe como tinha podido deixar seu pai e sua mãe numa idade em que eles necessitavam tanto de sua assistência e ao mesmo tempo ofereceu-lhe tudo o que dele podia depender. Jacó, para satisfazer o desejo do tio, contou-lhe o que se havia passado em família. Disse-lhe que tinha um irmão gêmeo e que Rebeca, sua mãe, querendo-o mais que a seu irmão Esaú, havia conseguido, por um ato de astúcia, que seu pai lhe desse, com todas as vantagens que a acompanhavam, a bênção que era do irmão. Contou-lhe que Esaú, para vingar-se, procurava por todos os meios
matá- então que viesse buscar asilo junto
lo e que sua mãe lhe havia ordenado
de Labão, pois não tinha nenhum outro parente mais próximo ao seu lado. E
assim
, no estado a que se encontrava reduzido, tinha confiança apenas em Deus e no tio.
Labão, comovido com essas palavras, prometeu a jacó toda a assistência,
fosse
em consideração ao parentesco, fosse para testemunhar a amizade que conservava por sua irmã, embora ausente há tanto tempo e tão longe dele. Prometeu também dar-lhe inteira autoridade sobre todos os que cuidavam de seus rebanhos, e, quando Jacó voltasse ao seu país, saberia, pelos presentes que lhe daria, qual era a sua gratidão e amizade. E Jacó, como nutrisse já grande afeto por Raquel, respondeu-lhe que a nenhum trabalho consideraria pesado, em se tratando de servi-lo, e que tinha tanta estima pela virtude de Raquel e tanta gratidão pela bondade com a qual ela o havia levado até ali que não pedia outra recompensa pelos seus serviços senão recebê-la em casamento. Labão recebeu a proposta com satisfação, respondendo que não poderia
ter ge
nro mais agradável. Disse-lhe então ser necessário que Jacó ficasse algum tempo com eles, porque não podia resolver-se ainda a mandar a filha para Canaã, pois já havia sentido muito ter deixado a irmã partir para um país tão distante. Jacó aceitou a condição, prometeu servi-lo por sete anos e acrescentou que teria prazer em encontrar ocasião de lhe mostrar, por sua solicitude e seus serviços, que não era indigno de sua aliança. 51. Quando se passaram os sete anos, Labão viu-se na contingência de
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cumprir a promessa e, no dia das núpcias, deu um grande banquete. Mas, em
vez d
e colocar Raquel no leito, mandou secretamente que lá pusessem Leia, irmã mais velha, que nada tinha em si mesma que pudesse despertar o amor. As trevas e o vinho levaram Jacó a perceber o engano somente no dia seguinte.* Ele queixou-se a Labão, que se desculpou de assim ter agido, dizendo ter sido obrigado pelo costume do país, que proibia casar a filha mais nova antes da mais velha, mas que isso não o impediria de esposar Raquel: estava disposto a entregá-la a Jacó, com a condição de que este o servisse por mais sete anos. Jacó percebeu que o engano era um mal sem remédio, mas o seu amor por Raquel o fez aceitar a proposta, embora injusta. Assim, ele a desposou e serviu
Labão
durante outros sete anos. ____________________ * As Escrituras afirmam que Jacó desposou Raquel ao fim de sete dias, com a condição de que ele serviria Labão por mais sete anos. 52. As duas irmãs mantinham junto delas duas moças, Zilpa e Bila, que Labão lhes dera não como criadas, mas apenas para fazer companhia às filhas, embora a estas devessem prestar obediência. Leia vivia triste, porque Jacó só
tinha
amor por Raquel, mas julgou que ele também poderia amá-la, se Deus lhe desse filhos. Por isso rogava a Ele constantemente que lhe fizesse aquela graça e por fim a obteve. Deu à luz uma criança, à qual chamou Rúben, para mostrar que o obtivera unicamente dEle. Teve em seguida outros três: um de nome Simeão, significando que Deus lhe havia sido favorável; outro a que chamou Levi, isto é, "sustentáculo da sociedade"; e outro ainda, Judá, isto é, "ação de graças".
Gênesis 30. A fecundidade de Leia, com efeito, levou jacó a amá-la mais. E Raquel, temendo que o afeto do marido pela irmã diminuísse a parte que lhe tocava, resolveu dar Bila a Jacó, que dela teve dois filhos: o mais velho, de nome Dã, isto é, "julgamento de Deus", e o mais novo, Naftali, isto é, "engenhoso", porque Raquel havia combatido por meio da astúcia a fecundidade da irmã. Leia usou também do mesmo artifício e pôs Zilpa em seu lugar, com a qual Jacó teve dois filhos: um de nome Gade, isto é, "vindo por acaso", e outro,
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Aser, isto é, "felicidade", porque Leia daí tirava vantagem. Dessa maneira, viviam juntas as duas irmãs. Rúben, filho mais velho de Leia, trouxe um dia para sua mãe algumas mandrágoras. Raquel teve também desejo de comê-las e rogou à irmã que as repartisse com ela. Leia recusou atender o pedido, dizendo que Raquel devia contentar-se com a vantagem do afeto de Jacó. Raquel, para acalmá-la, ofereceu-lhe Jacó por aquela noite. Ela aceitou a proposta e ficou grávida de Issacar, isto é, "nascido como recompensa". Em seguida, teve Zebulom, isto é, "recompensa da amizade", e uma filha: Diná. Por fim, Raquel teve também a alegria de ser mãe — de José, que quer dizer "aumento".
53. Gênesis 31. Vinte anos passaram-se dessa maneira, e ]acó, durante todo esse tempo, teve sempre a guarda geral dos rebanhos de Labão. Após tantos anos de serviço, pediu para voltar ao seu país, com as duas esposas. Labão recusou-se a dar o consentimento, e ]acó então resolveu retirar-se secretamente. Leia e Raquel estavam de acordo com ele. E assim, partiu com elas, levando também Zilpa e Bila, todos os seus filhos, os seus bens e metade dos rebanhos de Labão. Raquel tomou os ídolos de seu pai, não para adorá-los, porque Jacó não estava dominado por esse erro, mas para aplacar a cólera de
Labão
, restituindo-os, caso ele os perseguisse. Labão soube da retirada de |acó apenas no dia seguinte e pôs-se a segui-lo com muita gente, alcançando-o no sétimo dia, pela tarde, numa colina onde os fugitivos descansavam. Quis deixar passar a noite sem os atacar. Mas, quando dormia, Deus apareceu-lhe em sonhos e proibiu-lhe de pela cólera empreender algo contra Jacó e suas filhas, ordenando-lhe que se reconciliasse com o genro e que não confiasse na desigualdade das forças, pois se ousasse atacá-los, combateria por Jacó, para protegê-lo. O dia não havia raiado quando Labão, em obediência à ordem divina, mandou contar a Jacó o sonho que tivera, pedindo que viesse ter com ele. E Jacó foi, sem nada temer. Labão começou por fazer-lhe graves censuras: "Não podíeis", disse ele, "ter esquecido em que estado estáveis quando viestes à minha casa, como eu vos recebi, com que liberalidade vos tornei participante de
meus
bens e com quanta bondade vos dei as minhas filhas em casamento? Quem não teria pensado que tantos favores vos teriam unido para sempre a
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mim, com um afeto inviolável? Mas nem a estreita parentela, que nos une, nem a consideração de que a vossa mãe é minha irmã, que as vossas esposas me devem a vida e que os vossos filhos são meus impediram que me tratásseis como se eu fosse vosso inimigo. Levais os meus bens, obrigastes as minhas filhas a me deixar para fugir convosco e sois a causa de elas me roubarem o que os meus antepassados e eu sempre tivemos em grande veneração, porque são coisas sagradas. Qual! Será então necessário que eu receba do filho de minha irmã, de meu genro, de meu hóspede e de um homem que me é devedor de tantos benefícios todos os ultrajes que um inimigo irreconciliável me teria
podid
o fazer?" 54. Jacó, para justificar-se, respondeu que não era o único a quem Deus havia imprimido no coração o amor pelo país natal e o desejo de voltar após longa ausência. Quanto à acusação de tê-lo roubado, qualquer homem justo Julgaria que tal censura se ajustava ao próprio Labão, porque, em vez de lhe agradecer por ter não somente conservado, mas aumentado tanto os seus bens, vinha queixar-se de que lhe havia sido levada uma pequena parte. E, quanto ao que se referia às filhas, era estranho achar maldade no fato de as esposas seguirem o marido, bem como esperar que as mães abandonassem os filhos. Após ter-se defendido dessa maneira, Jacó, para usar das mesmas razões que Labão apresentara contra ele, acrescentou que, sendo seu tio e sogro, não deveria tê-lo tratado tão rudemente, como o fizera por vinte anos, sem falar no
que s
ofrerá para obter Raquel, suportado apenas por causa de sua afeição por ela, e ainda depois, quando continuou a agir contra ele de maneira que nem da parte de um inimigo teria esperado pior. Jacó tinha sem dúvida grandes motivos para queixar-se das injustiças de Labão, pois quando este viu que Deus favorecia jacó em todas as coisas, ora prometia-lhe dar, na partilha do aumento do rebanho, os animais que nascessem brancos, ora os que fossem pretos. E, percebendo que a parte de Jacó era a maior, faltava-lhe sempre à palavra e adiava a partida para o ano seguinte, na esperança de que seria depois a mesma coisa. Como nisso era sempre enganado, continuava também a enganar Jacó. Quando Raquel soube que, ante a queixa do furto dos ídolos, Jacó dera a Labão permissão de os procurar, escondeu-os debaixo do camelo em que mon-
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tava, sentou-se sobre ele e disse que não podia se levantar, pois estava sofrendo
do inc
ômodo próprio das mulheres. Assim, Labão não os procurou mais, porque pensou que a filha não teria naquele estado se aproximado de coisas que no seu espírito passavam por sagradas. Prometeu depois a Jacó, com juramento, não somente esquecer o passado, mas conservar por suas filhas o mesmo afeto que sempre lhes tivera. E, como sinal da renovação da aliança, ergueram sobre a montanha uma coluna em forma de altar, à qual deram por esse motivo o nome de Galeede e que a região vizinha, posteriormente, conservou. Fizeram depois um grande banquete, e Labão deixou-os para regressar à sua casa. 55. Gênesis 32. jacó, por seu lado, continuou a viagem para Canaã e no caminho teve visões, as quais o fizeram conceber tão grandes esperanças que chamou Campos de Deus o lugar onde as tivera. Mas, temendo sempre o ressentimento de Esaú, mandou alguns dos seus para levar-lhe notícias e ordenou-lhes que se expressassem nestes termos: "O respeito que Jacó, vosso irmão, vos tem, fá-lo pensar que não deve se apresentar diante de vós enquanto estiverdes irritado contra ele, assim como o fez abandonar este país e retirar-se
para
uma terra longínqua. Mas agora ele espera que o tempo tenha apagado de vosso espírito o descontentamento e volta com as suas esposas, os seus filhos e o que conquistou com o trabalho, a fim de pôr em vossas mãos tudo o que possui. Nada lhe daria mesmo mais alegria do que oferecer-vos os bens com que aprouve a Deus enriquecê-lo". Esaú ficou tão comovido com essas palavras que veio imediatamente encontrar-se com o irmão, acompanhado de quatrocentos homens. Esse grande número assustou jacó, mas ele colocou a sua confiança em Deus e dispôs todas as coisas para se pôr em condições de resistir-lhe, caso Esaú tivesse a intenção de usar de violência. Distribuiu para isso tudo o que trazia consigo em diversos grupos, que se seguiam a curtos espaços um do outro, de modo que, se o que
vinha
à frente fosse atacado, os demais pudessem retirar-se. Mandou depois avançar alguns de seus homens e, para acalmar o espírito do irmão, se é que este ainda estava irritado contra ele, ordenou-lhes que oferecessem, de sua parte, diversos animais de várias espécies que lhe poderiam ser agradáveis pela sua raridade. Disse-lhes também que caminhassem separadamente, a fim de que, indo assim em fila, parecesse que eram em maior número, e recomendou-
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lhes sobretudo que falassem a Esaú com o máximo respeito. 56. Depois de ter assim empregado todo o dia em dispor essas coisas, foi caminhar à noite. E, após ter atravessado as torrentes de Jaboque, estando muito afastado de seus homens, um vulto apareceu e atracou-se com ele. jacó foi o mais forte nessa luta, e o vulto disse-lhe: "Alegrai-vos )acó, e que nada seja
capaz
de vos assustar. Pois não foi a um homem que vencestes, mas a um anjo de Deus", jacó, tomado de admiração, pediu que o espírito celeste informasse o que lhe devia acontecer, ao que este respondeu: "Considerai o que acaba de se passar como um presságio, não somente de grandes bens que vos esperam, mas da duração perpétua de vossa descendência e da confiança que deveis ter de que ela será invencível". O anjo ordenou-lhe em seguida que tomasse o nome de Israel, que significa, em hebreu, "o que resistiu a um anjo", e nesse mesmo instante desapareceu. Jacó, transbordando de alegria, chamou ao lugar Peniel, isto é, "a face de Deus". E, como fora ferido naquela luta num lugar da coxa, jamais comeu daquela parte de animal algum. Não nos é, do mesmo modo, permitido comê-la. 57. Gênesis 33. Quando Jacó soube que o irmão se aproximava, mandou dizer às suas mulheres que viessem separadas uma da outra, cada qual com as
suas
criadas, para ver de longe o combate, caso fossem obrigados a travá-lo. Quando já estava próximo do irmão, todavia, reconheceu que ele vinha com espírito de paz e apresentou-se diante dele. Esaú abraçou-o e perguntou-lhe o que era aquela multidão de mulheres e crianças. Depois de ter sido informado de tudo, ofereceu-se para levá-las todas a Isaque, seu pai. Jacó agradeceu e rogou-lhe que o desculpasse, porque toda a comitiva estava muito cansada, por causa da longa viagem, e tinha necessidade de repouso. Assim, Esaú voltou a Seir, onde residia habitualmente, tendo ele mesmo lhe dado esse nome, que significa "peludo". 58. Gênesis 34. jacó, por sua vez, dirigiu-se a um lugar denominado As Tendas, que ainda hoje conserva esse nome, e de lá a Siquem, que é uma cidade dos cananeus. Aconteceu então que ali se realizava uma festa, e Diná,
única có, aproximou-se para ver de que maneira as mulheres
filha de Ja
daque vestiam. Siquem, filho do rei Hamor, achou-a tão bela que a
le país se
carregou e abusou dela. Estando apaixonado por ela, pediu ao rei, seu pai, que
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a fizesse desposar. Ele consentiu e foi procurar Jacó para pedi-la em
casamento. Jacó ficou muito emb ue, de um lado, não sabia como
araçado, porq
recusar a filha ao filho de um rei e, de outro, julgava que em sã consciência não
podia dá-la a um estrangeiro. Assim, pediu algum tempo a Hamor, para decidir,
e o m
onarca regressou, na persuasão de que o casamento se realizaria. Jacó contou aos filhos tudo o que se havia passado, pedindo-lhes que deliberassem sobre o que deviam fazer. A maior parte não sabia que resolução tomar. Mas Simeão e Levi, irmãos de pai e mãe de Diná, tomaram juntos uma determinação e, sem nada dizer a Jacó, escolheram executá-la no dia de uma grande festa que se realizava em Siquem e que se passava toda em banquetes e divertimentos. Foram de noite às portas de Siquem, acharam os guardas adormecidos
e os mataram. Daí foram à cidade, passaram todos os homens a fio de
espada, até mesmo o rei e seu filho, poupando somente as mulheres, e trouxeram
de volta a sua irmã. Jacó ficou fora de si por aquela ação sangrenta e
muito irritado com os dois, mas Deus, numa visão, ordenou que se consolasse,
que purificasse as suas tendas e pavilhões e que oferecesse o sacrifício ao qual
se havia obrigado quando Ele lhe apareceu em sonho, na sua viagem à
Meso mia.
potâ
59. Enquanto executava essas ordens, jacó encontrou os ídolos de Labão,
que Raquel havia furtado sem nada lhe dizer. Enterrou-os em Siquem, sob um
carvalho, e foi sacrificar em Betei,* no mesmo lugar onde tivera a visão de que
acabamos de falar. De lá passou a Efrata, onde Raquel teve um filho e morreu
de parto. Ela foi sepultada ali mesmo, sendo a única de sua descendência que
não f i levada a Hebrom, ao sepulcro de seus antepassados. A morte dela
o
causou grande aflição a ]acó, e ele chamou ao filho Benjamim, porque havia
sido causa de dor, ao custo da vida de sua mãe. Jacó teve apenas uma filha,
Diná, e doze filhos, dos quais oito eram legítimos, isto é, seis de Leia e dois de
Raquel. Quanto aos outros quatro, dois eram de Zilpa e dois de Bila. Chegou
finalmente a Hebrom, na terra de Canaã, onde morava Isaque, seu pai, mas o
perdeu logo depois.

quarta 20 junho 2012 06:26 , em TEOLOGIA E ESTUDOS BIBLICOS



Nenhum comentário HISTÓRIA DOS HEBREUS - ABRAÃO , ISAQUE , JACÓ E ISRAEL



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